Skate vertical: o despertar do skateboarding

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Ao lado da modalidade de skate street, a categoria vertical é sem sombra de dúvidas uma das mais praticadas no mundo todo. Os X-Games estão aí para provar que a prática do skate em rampas gigantescas é um grande entretenimento para milhares de skatistas.

Hoje podemos acompanhar nos campeonatos televisionados skatistas mandando manobras aéreas nas famosas half-pipes e até nas pistas bowl, mas a história do skateboard nos mostra que nem sempre foi assim.

Para tanto, temos que voltar ao passado, mais precisamente na década de 70, e reviver os primórdios do skate na cena californiana. Já te garantimos que a história converge ao surf e a muitos períodos de seca. Cola com a gente e acompanhe a evolução do skate vertical.

Piscinas californianas e a apropriação do surfismo

Quem já assistiu Dogtown and Z-Boy de Stacy Peralta já deve estar familiarizado com o surgimento da modalidade vertical. Afinal, o documentário compila imagens incríveis sobre o surgimento do grupo de skatistas, bem como as suas contribuições para o desenvolvimento do skate, tal como conhecemos hoje.

Mas, não tem como falar de Z-Boys sem falar dos primórdios do skate vertical. Quando pensamos na gênese da modalidade praticada por Bob Burnquist voltamos para a apropriação do surf a fim do desenvolvimento de um esporte similar, mas que trocava as marolas por pistas.

Aliado a isso temos a seca de 70, na qual as piscinas da Califórnia começaram a ser esvaziadas para dar conta da falta de água na região. Com isso, muitos surfistas enxergaram nas estruturas possibilidades de pistas para a prática do esporte em emergência.

Sem o uso básico, as piscinas ovais de Los Angeles começaram a ser usadas como rampas, uma vez que as sinuosidades simétricas assemelhavam-se às ondas marítimas. Mas, não era qualquer rampa… As piscinas da Califórnia de 70 passaram a ser rampas de skate vertical para a prática de skateboarding por surfistas como o Z-Boys.

O ponto que alavancou o desenvolvimento do esporte foi certamente a habilidade dos surfistas em otimizar alguns movimentos do surf para o skate. Assim como no mar, a ergonomia das piscinas possibilitaram que os movimentos fossem transpostos, afinal, os mesmos movimentos feitos em cima da prancha precisavam ser feitos em cima do deck para que a galera conseguisse andar sobre as paredes das piscinas.

Andar com o corpo abaixado, por exemplo, propiciou a execução de diversas tricks diferentes nas ondulações, como uma espécie de transposição de movimento. Logo, do mar às piscinas, os Z-Boys não influenciaram o surgimento de skatistas, mas antes, tornaram-se skatistas.

Podemos dizer então que o surgimento do skate vertical se fez por dois movimentos. Um de representação, uma vez que as piscinas receberam outros significados que não a de uma caixa cheia de água para mergulhos, mas de um local de encontro propício para a prática de manobras, e outro de apropriação, uma vez que essas manobras foram criadas a partir da assimilação de movimentos do surf.

Um novo despertar: half-pipes e manobras aéreas

Com o passar do tempo, o vert começou a ganhar uma identidade própria, o setup passou a ter mais originalidade e ser pensado para novas configurações de pistas, as half-pipes. Shapes alongados, com rodas e trucks leves para não pesar na hora de mandar as manobras aéreas vestiram novas formas de praticar skateboard.

Com o desenvolvimento exponencial das skateparks e dos campeonatos de skate, a modalidade começou a ganhar forma e conquistar uma legião de fãs e adeptos no mundo, sendo os X-Games o boom que revolucionou a cena global do skate vertical.

Reunindo várias modalidades de esportes radicais , como BMX, esqui, snowboard e skateboard, os X-Games são considerados um grande evento poliesportivo, no qual modalidades como skate street e vert são esperados com bastante afinco pelo público, uma vez que reúnem tricks e skatistas de sucesso.

Aliás, muitos skatistas mundialmente conhecidos como Tony Hawk e Bob Burnquist deixaram os seus nomes marcados na história do skateboard devido a esse evento. Você provavelmente já deve ter ouvido falar no 900º, uma manobra que consiste em dar dois giros e meio no ar em cima da prancha, lançada pela primeira vez por Hawk em 99.

O 900º foi com certeza uma das tricks mais insanas já lançada por um skatista e televisionada, então não podemos deixar de afirmar que os X-Games em muito contribuíram para a difusão do esporte.

Mas, nem só de 900º se faz a modalidade, temos várias manobras que caracterizam o skate vertical, como os flips, o rock to fakie, frontside rockslide, backside, invert, eggplant e o rocket air.

Setup para a modalidade vertical

Se te agrada a modalidade vertical, é importante que você fique ligado na escolha composicional do setup. Montar um skate para essa modalidade presume o uso de um shape, com um bom encaixe no seu pisante, e que te dê firmeza na hora da aterrissagem, considerar uma largura entre 8.25” a 9” já é mais que suficiente.

Considerando que você precisará de muita velocidade para ser lançado de uma ponta a outra nas pistas, opte por rodas de 55M a 60MM e dureza de 90 a 100 A. É crucial que você escolha rodas mais largas para aumentar a aderência de contato e, considerando que constantemente você terá um impacto com o solo, pense em rodas mais macias.

Outros componentes importantes e que têm que ser escolhidos estrategicamente são os trucks. Para ficarem em alinhamento com as rodas, escolha trucks mais largos para aumentar a estabilidade na hora de percorrer as paredes das rampas e, claro, lembre-se que a sua escolha também precisa ser guiada pela leveza das peças.

Isso é tudo, galera. Agora que vocês estão por dentro das origens da modalidade vertical, deixe aí nos comentários qual é a sua manobra favorita dessa modalidade. Se curtiu o post, navegue pelas nossas demais publicações e explore um pouco mais sobre o universo do skateboard.

Até mais!

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