Skate Street: a história, o estilo e a comunidade 

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Se você anda de skate, certamente conhece a modalidade do skate street, com a riqueza e diversidade da sua comunidade. O estilo dominou os ambientes urbanos por todo o mundo e continua muito relevante e ativo, levando uma filosofia de fraternidade, humildade, diversão e respeito para todo mundo que gosta de skate.

Hoje a gente fala sobre a história da modalidade, seu estilo, sua cultura, além de arranhar um pouco sobre as principais técnicas dos praticantes. Vem!

As origens do Skate Street

É impossível falar do skate street e não falar do americano Rodney Mullen, nascido em 1966 Gainesville e que inventou mais de 39 manobras dessa modalidade e na década de 80, como um fenômeno que passava em muitos programas de tv, mas divulgava a modalidade freestyle que era mais praticada na época. Assim naturalmente nasceu o street, pois os jovens praticavam as manobras de Rodney nas ruas dos EUA e de tantos lugares do mundo onde diversos jovens se organizaram para dar seus rolês sem ter acesso a um skate park ou equipamentos adequados. Nesse processo, acabaram construindo todo um jeito novo de andar de skate.

A popularização do skate aconteceu especialmente na costa atlântica dos Estados Unidos, e lá surgiram muitos skate parks, com rampas bem estruturadas e trajetos completos. Mas a comunidade foi tornando suas manobras cada vez mais radicais e arriscadas, o que fez muitos proprietários ficarem preocupados com os acidentes e aumentarem tanto os protocolos de segurança quanto os custos – isso quando não acabaram fechando as pistas.

O encarecimento limitou o acesso de muitos skatistas, que não já tinham tantos recursos. Para contornar essas situações, especialmente em cidades onde não havia nenhum skate park, os skatistas começaram a se unir cada vez mais em torno de grupos e coletivos, agregando iniciantes e todos os interessados. O rolê era na rua, mesmo, e isso ajudou a moldar todos os aspectos desse movimento!

Essas comunidades não demoraram em criar suas próprias revistas independentes, como a Thrasher Magazine e a SkateBoarder , onde davam dicas de picos interessantes para se reunir e andar, além de divulgar artes e discutir outros aspectos do skateboarding urbano.

O skate saiu do círculo californiano e ganhou comunidades no mundo inteiro, sendo absorvido pela cultura urbana: o street, junto de diversas outras comunidades que ganhavam as ruas, como o hip-hop, o grafite, a poesia slam, o punk e o anarquismo.

O Skate Street e o Streetwear

A união de diversas culturas trouxe muitas revoluções, e uma das principais foi na forma de vestir. Diferente do que rolava nas praias californianas, em outras metrópoles não imperava o estilo neon e praieiro dos anos 80.

Os tênis de skate clássicos são inspirados nos tradicionais calçados de operários da época. Para aumentar o peso nas manobras flat, praticadas direto no chão, ganharam aos poucos a estrutura dos dunks de basquete, ficando bem mais parecidos com os sneakers que a gente usa hoje.

Para contornar o frio sazonal sem perder o caimento mais folgado que dá liberdade de movimento, não era incomum que os skatistas usassem roupas bem folgadas, até mesmo emprestadas dos pais, como camisas de flanela, camisetas básicas de algodão oversized, calças operárias cargo…

Tudo isso acabou definindo de vez o streetwear: roupas com caimento bem solto, em tecidos macios e respiráveis, tênis bem reforçados e calças com tecidos flexíveis.

Influências da cultura afro americana, do rap e do basquete reinavam! Por isso, o street influenciou e foi influenciado por uma série de movimentos que surgiram no começo dos anos 90, como o nu metal, o hip hop, o grunge e o skate punk.

O código de vestir dos skatistas se tornou uma identidade muito forte da comunidade, mas também acabou criando muitos estigmas contra eles: o uso do espaço público para a atividade do skate chegou a ser criminalizada e fortemente punida em maioria dos lugares.Só para se ter ideia, em 1988 Jânio Quadros o então prefeito da cidade de São Paulo, proibiu a circulação de Skatistas nas ruas de São Paulo.

Não eram incomuns confrontos policiais tentando dispersar os skatistas, que cada vez mais se apropriavam de forma criativa os espaços. Hoje, a resistência continua, e a comunidade do skate street prova ser uma parte fundamental da cultura popular: não dá mais pra apagar esse rolê!

As técnicas do skate street

A ausência de pistas verticais fez com que o skateboarding street se reinventasse completamente. Isso exigiu criatividade, e essa é a grande marca da modalidade!

O street adere ao estilo flat, isso é, no chão. Ao invés da velocidade, a precisão ganha prioridade. As manobras são chutadas direto no chão: ollie, heelflip, grinds… Diversas manobras que aproveitam bem os obstáculos naturais do ambiente urbano são incorporadas e ganham inúmeras variantes.

Tudo pode ser aproveitado no street skate: corrimãos, meio-fios, concreto liso, rachaduras, escadarias e qualquer tipo de irregularidade no ambiente podem se tornar gaps ideais para testar tricks diferentes. A cidade é a pista!

O street também tem uma ligação forte com o skate freestyle, com mencionamos anteriormente, e o desenvolvimento de manobras estacionárias. Os skatistas têm mais liberdade para inventar suas manobras e colocar uma assinatura especial de movimento nelas.

O senso de comunidade, de faça você mesmo do street nunca perdeu sua relevância, porque é um movimento que tem muita força no underground, que une diversas tribos e está sempre receptiva e fraterna.

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